Um método contemporâneo para organizar o raciocínio astrológico
A astrologia possui uma longa história.
Ao longo dos séculos, diferentes autores desenvolveram, preservaram, modificaram, ensinaram e sistematizaram técnicas de interpretação. A Astrologia Clássica, particularmente a Astrologia Horária, é resultado de uma tradição construída por muitas gerações de praticantes e estudiosos.
Entre os autores historicamente importantes dessa tradição está William Lilly (1602–1681), cuja obra Christian Astrology, publicada em 1647, tornou-se uma referência importante para o estudo histórico da astrologia horária inglesa do século XVII.
Lilly não criou a astrologia horária.
Sua importância está relacionada à transmissão, organização e apresentação de conhecimentos que pertenciam a uma tradição anterior.
Essa distinção ajuda a compreender também o lugar do I.R.A.R. → E.L.E.S.
O método desenvolvido por Sidnei Almeida Teixeira não pretende criar uma nova Astrologia.
Não pretende substituir a Astrologia Clássica.
Não pretende estabelecer uma nova doutrina astrológica.
Não pretende modificar, por si só, as técnicas tradicionais.
Seu propósito é mais específico:
organizar o raciocínio utilizado no estudo da Astrologia Clássica Horária em uma sequência operacional clara.
Essa é a natureza do I.R.A.R. → E.L.E.S.
Tradição não é a mesma coisa que método
Uma tradição contém conhecimentos acumulados ao longo do tempo.
Um método estabelece uma maneira ordenada de trabalhar com determinado conhecimento.
Essa diferença é fundamental para compreender a proposta.
A Astrologia Clássica reúne conceitos, técnicas e procedimentos desenvolvidos historicamente: significadores, casas, dignidades, debilidades, aspectos, recepções, condições planetárias, movimentos, temporalidade e diversas outras ferramentas de julgamento.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. não pretende substituir nenhum desses elementos.
Ele procura responder a outra pergunta:
Em que ordem essas informações podem ser investigadas para que o raciocínio seja mais organizado?
O problema contemporâneo nem sempre é a falta de informação.
Muitas vezes é justamente o contrário.
Existe informação demais.
O estudante pode encontrar significados para planetas, signos e casas, listas de dignidades, interpretações de aspectos, regras de recepção e inúmeras outras informações técnicas.
Entretanto, conhecer muitos elementos não significa necessariamente saber quando, por que e em que sequência utilizá-los.
É nesse espaço que surge a proposta do I.R.A.R. → E.L.E.S.
O que é o I.R.A.R. → E.L.E.S.?
O I.R.A.R. → E.L.E.S. é uma arquitetura contemporânea de raciocínio astrológico.
Sua função é organizar a investigação em oito etapas:
I.R.A.R. — ESTRUTURAR
I — Intenção
O que está sendo perguntado?
Antes de interpretar, é necessário compreender precisamente a questão.
Qual é o assunto?
Qual é o objeto da pergunta?
O que exatamente precisa ser investigado?
R — Radicalidade
A carta apresenta condições adequadas para o julgamento?
Antes de avançar para uma conclusão, é necessário verificar as condições da carta e sua capacidade de sustentar o julgamento.
A pergunta é compreender se estamos diante de uma carta que pode ser investigada dentro dos critérios adotados.
A — Agentes
Quem ou o que representa cada participante da questão?
Aqui são identificados os significadores pertinentes.
Quem pergunta?
Quem ou o que é perguntado?
Quais são os elementos relevantes da situação?
A interpretação começa a ganhar estrutura quando os participantes do problema estão corretamente identificados.
R — Relações
Como esses agentes se relacionam?
Depois de identificar os participantes, investigam-se suas relações.
Aspectos, recepções, condições e demais técnicas pertinentes podem ser considerados dentro dessa etapa.
O objetivo é compreender a dinâmica entre os significadores antes de saltar para uma conclusão.
E.L.E.S. — DESDOBRAR
Depois de estruturar o problema, passa-se ao acompanhamento de seu desenvolvimento.
E — Evento
O que a configuração indica como desenvolvimento da questão?
Aqui se investiga aquilo que tende a acontecer dentro da lógica apresentada pela carta.
L — Lua
Como o fluxo temporal participa do desenvolvimento?
A Lua é observada como elemento fundamental para acompanhar o movimento e o desenvolvimento da questão dentro da leitura horária.
Sua condição e seus movimentos são considerados em relação ao problema investigado.
E — Estado
Qual configuração se estabelece?
Depois de acompanhar as relações e o desenvolvimento indicado pela carta, procura-se compreender o estado resultante.
O que efetivamente se configura?
Em que condição os elementos envolvidos permanecem ou chegam?
S — Síntese
Como todas as informações verificadas podem ser reunidas em uma conclusão objetiva?
Somente depois das etapas anteriores é realizada a síntese.
A conclusão não deve nascer de um único símbolo ou de uma associação isolada.
Ela deve resultar da integração das informações verificadas durante o processo.
A arquitetura em uma frase
A estrutura pode ser resumida assim:
I.R.A.R. = estruturar.
E.L.E.S. = desdobrar.
Ou, de maneira ainda mais simples:
Primeiro se organiza o problema. Depois se acompanha seu desenvolvimento.
Essa é a função essencial do método.
O método não substitui as técnicas clássicas
Esse é um dos pontos fundamentais da proposta.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. não substitui dignidades, aspectos, recepções, significadores, casas, condições planetárias ou outras técnicas históricas.
Ele também não determina antecipadamente qual será a resposta de uma carta.
Sua função é organizar o caminho pelo qual essas informações são investigadas.
Podemos pensar em duas camadas diferentes:
Técnica astrológica
e
organização do raciocínio sobre a técnica.
A primeira fornece os instrumentos.
A segunda procura estabelecer uma sequência para utilizá-los.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. pertence principalmente à segunda camada.
Não é uma nova Astrologia
É importante deixar isso absolutamente claro.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. não pretende constituir uma nova Astrologia.
Não é uma nova tradição astrológica.
Não é uma nova doutrina.
Não é uma substituição da Astrologia Clássica.
Não reivindica a invenção das técnicas utilizadas pela Astrologia Horária.
Sua proposta é metodológica.
A formulação mais precisa é:
I.R.A.R. → E.L.E.S. é um método contemporâneo de organização do raciocínio astrológico aplicado ao estudo da Astrologia Clássica Horária.
Essa definição preserva duas dimensões diferentes:
continuidade histórica da tradição
e
inovação na organização metodológica.
Uma coisa não precisa eliminar a outra.
Uma tradição pode continuar sendo estudada, preservada e investigada enquanto novas ferramentas pedagógicas são desenvolvidas para organizar seu aprendizado.
De onde vem essa necessidade?
O estudante contemporâneo vive uma situação curiosa.
Nunca foi tão fácil encontrar informação sobre astrologia.
Ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil perder-se dentro dela.
Existem livros, cursos, vídeos, artigos, bancos de dados, softwares, redes sociais e inúmeras interpretações disponíveis.
O acesso ao conhecimento aumentou.
Mas acesso ao conhecimento não significa necessariamente organização do conhecimento.
É possível saber o significado de dezenas de elementos astrológicos e ainda assim não saber por onde começar diante de uma pergunta concreta.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. procura enfrentar exatamente esse problema.
Não acrescentando necessariamente mais uma lista de significados.
Mas oferecendo uma sequência de investigação.
O princípio central
O método pode ser condensado em uma regra:
Não concluir antes da verificação estrutural.
Essa ideia muda a postura diante de uma carta.
Em vez de perguntar imediatamente:
“O que isso significa?”
o estudante aprende a perguntar:
“O que preciso verificar antes de interpretar?”
A diferença parece pequena.
Mas ela muda o processo de leitura.
A interpretação deixa de ser apenas uma associação imediata entre símbolos e significados e passa a ser tratada como uma sequência de investigação.
Astrologia não é apenas significado
Um planeta não precisa ser reduzido a uma lista fixa de palavras.
Uma casa não deve ser tratada como um significado isolado.
Um aspecto não deve ser interpretado fora da relação entre os elementos envolvidos.
Uma dignidade não deve ser considerada sem compreender sua função dentro da questão.
A interpretação depende das relações entre os elementos e das condições em que eles aparecem.
Por isso, o I.R.A.R. → E.L.E.S. parte de uma premissa pedagógica:
Ensinar astrologia não é apenas ensinar significados. É ensinar a raciocinar astrologicamente.
O conhecimento dos elementos continua sendo indispensável.
Mas conhecimento sem ordem pode produzir ruído.
O método procura estabelecer uma ordem de investigação.
Uma memória procedural
O I.R.A.R. → E.L.E.S. também pode funcionar como uma ferramenta de aprendizagem.
O estudante não precisa memorizar apenas uma grande quantidade de informações.
Ele aprende uma sequência mental.
Diante de uma pergunta horária, pode retornar ao procedimento:
1. Intenção
O que está sendo perguntado?
2. Radicalidade
A carta oferece condições para julgamento?
3. Agentes
Quem representa quem?
4. Relações
Como esses agentes se relacionam?
5. Evento
Que desenvolvimento aparece?
6. Lua
Como o fluxo temporal participa?
7. Estado
Qual configuração se estabelece?
8. Síntese
O que pode ser afirmado depois da verificação?
Isso transforma o método em uma espécie de memória procedural.
Não basta saber.
É preciso saber o que fazer primeiro, depois e por último.
A importância da tradição histórica
Organizar o raciocínio não significa apagar a história.
Pelo contrário.
Quanto mais clara for a distinção entre tradição e método, mais fácil será estudar cada uma em seu devido lugar.
Autores históricos como William Lilly pertencem à história da astrologia.
Suas obras devem ser estudadas dentro de seus próprios contextos históricos, culturais e técnicos.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. pertence a outro nível:
o da organização contemporânea do processo de estudo.
Portanto, não é necessário transformar o método contemporâneo em uma continuação direta de qualquer autor histórico.
Também não é necessário apresentá-lo como uma ruptura com a tradição.
Ele pode simplesmente cumprir outra função.
A tradição fornece o conhecimento histórico e técnico. O método organiza uma maneira contemporânea de investigá-lo.
Autoria metodológica
O I.R.A.R. → E.L.E.S. é uma construção metodológica desenvolvida por Sidnei Almeida Teixeira.
Sua autoria não está na criação das técnicas históricas utilizadas pela Astrologia Clássica.
Está na organização proposta para o processo de raciocínio.
A sequência:
Intenção → Radicalidade → Agentes → Relações → Evento → Lua → Estado → Síntese
constitui a arquitetura específica do método.
Assim, a distinção permanece clara:
as técnicas possuem história própria;
a organização metodológica possui autoria contemporânea.
Essa distinção é importante justamente porque evita atribuir ao método aquilo que pertence à tradição e evita também atribuir à tradição aquilo que pertence à elaboração contemporânea.
Uma ponte entre tradição e aprendizagem contemporânea
A Astrologia Total pode trabalhar, portanto, com duas responsabilidades complementares.
A primeira é histórica:
conhecer a tradição.
Estudar seus autores, conceitos, técnicas, transformações e contextos.
A segunda é metodológica:
organizar o estudo da tradição.
Criar ferramentas que permitam ao estudante compreender não apenas os elementos da astrologia, mas também a sequência pela qual eles podem ser investigados.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. está nessa segunda dimensão.
Ele não pretende apagar os autores antigos.
Não pretende substituir seus métodos.
Não pretende reivindicar para si a origem das técnicas clássicas.
Pretende apenas oferecer uma arquitetura contemporânea para organizar o raciocínio aplicado ao estudo delas.
Uma distinção essencial
Talvez a proposta possa ser compreendida através de uma distinção simples:
A Astrologia é o campo de conhecimento.
A Astrologia Clássica é uma de suas tradições históricas.
A Astrologia Horária é um de seus campos técnicos.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. é uma arquitetura metodológica para organizar o raciocínio dentro desse estudo.
Cada elemento ocupa uma função diferente.
Não é necessário transformar o método em uma nova astrologia para reconhecer seu caráter autoral.
Uma ferramenta de organização pode ter autoria própria sem reivindicar a invenção do conhecimento que organiza.
A formulação para a Astrologia Total
A posição pode ser resumida desta maneira:
A Astrologia Clássica fornece a tradição técnica e histórica.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. fornece uma arquitetura contemporânea para organizar o raciocínio sobre essa tradição.
Essa é a distinção central.
O método não pretende dizer:
“Esta é uma nova Astrologia.”
Sua proposta é dizer:
“Esta é uma maneira organizada de investigar a Astrologia que já possui uma tradição.”
Essa diferença é fundamental.
Porque inovar na maneira de organizar o conhecimento não exige abandonar o conhecimento anterior.
É possível respeitar a tradição e, ao mesmo tempo, desenvolver novas ferramentas para estudá-la.
Em síntese
O I.R.A.R. → E.L.E.S. pode ser compreendido por cinco ideias fundamentais:
1. Não é uma nova Astrologia.
É um método de organização do raciocínio.
2. Não substitui as técnicas clássicas.
Ele procura organizar sua utilização.
3. Não reivindica a criação da Astrologia Horária.
As técnicas possuem uma história muito anterior ao método.
4. Possui autoria contemporânea.
Sua contribuição está na arquitetura sequencial proposta.
5. Tem uma finalidade pedagógica.
Ensinar não apenas o que os elementos astrológicos significam, mas como investigá-los de maneira ordenada.
A ideia central
No fundo, a proposta pode ser reduzida a uma pergunta:
Antes de perguntar o que uma carta significa, o que precisamos verificar para poder interpretá-la?
O I.R.A.R. → E.L.E.S. procura oferecer uma resposta organizada a essa pergunta.
I.R.A.R.
Intenção.
Radicalidade.
Agentes.
Relações.
E.L.E.S.
Evento.
Lua.
Estado.
Síntese.
Primeiro, estruturar.
Depois, desdobrar.
Primeiro, verificar as condições.
Depois, investigar as relações.
Finalmente, construir a síntese.
Não uma nova Astrologia.
Uma nova organização do raciocínio astrológico.
