I.R.A.R. → E.L.E.S.: uma arquitetura para o raciocínio astrológico
Por Sidnei Almeida Teixeira
Astrologia Total — A máquina do tempo chamada astrologia!
Introdução
Conhecer astrologia não significa apenas conhecer seus símbolos.
É possível memorizar planetas, signos, casas, dignidades, aspectos e técnicas e, ainda assim, encontrar dificuldade para raciocinar diante de uma questão concreta.
Isso acontece porque existe uma diferença fundamental entre conhecer informações e saber organizá-las para produzir uma conclusão.
Entre a pergunta e a resposta existe um percurso.
Esse percurso precisa de ordem.
É nesse ponto que se situa o Estruturalismo Astrológico, proposta desenvolvida no âmbito da Astrologia Total e operacionalizada pelo método I.R.A.R. → E.L.E.S.
Não se trata de acrescentar mais uma coleção de significados à astrologia.
Trata-se de organizar a maneira como o conhecimento astrológico é utilizado.
O princípio é simples:
não se deve concluir antes de verificar a estrutura que sustenta a conclusão.
O que é o Estruturalismo Astrológico?
Pensar estruturalmente significa compreender que os elementos de uma interpretação não funcionam de maneira completamente isolada.
Sua função depende das condições em que se encontram e das relações que estabelecem dentro de determinada configuração.
Por isso, um símbolo não deve ser tratado automaticamente como uma resposta.
Ele participa de uma estrutura.
Seu valor interpretativo depende da posição que ocupa, da função que desempenha e das relações que estabelece com os demais elementos envolvidos.
Assim, o Estruturalismo Astrológico desloca a atenção do significado isolado para a relação estruturada entre os significados.
Não basta perguntar:
“O que este símbolo significa?”
É preciso perguntar:
“Qual função este elemento exerce nesta estrutura e o que sua relação com os demais elementos permite concluir?”
Essa mudança parece pequena.
Na prática, ela modifica profundamente a maneira de raciocinar astrologicamente.
Do significado à estrutura
O ensino da astrologia frequentemente começa pela memorização.
O estudante aprende que determinado planeta representa determinadas funções, que determinado signo possui determinadas características e que determinada casa corresponde a determinado campo da experiência.
Esse conhecimento é necessário.
Mas não é suficiente.
Quando chega o momento de interpretar uma questão concreta, surge o problema:
como relacionar tudo isso?
O estudante pode conhecer cada peça e ainda não saber montar o conjunto.
O Estruturalismo Astrológico procura justamente organizar essa passagem.
A questão deixa de ser apenas:
“O que significa?”
E passa a ser:
“Como isso funciona dentro da configuração que estou investigando?”
O conhecimento deixa de ser apenas acumulativo e passa a ser procedural.
O estudante não aprende somente o que cada elemento representa.
Aprende também o que fazer com esse conhecimento e em qual ordem utilizá-lo.
I.R.A.R. → E.L.E.S.
É nesse ponto que se encontra o método desenvolvido na Astrologia Total.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. é uma arquitetura contemporânea de raciocínio astrológico.
Ele organiza a investigação em oito operações distribuídas em dois movimentos:
I.R.A.R. — ESTRUTURAR
I — Intenção
Delimitar o campo da investigação.
R — Radicalidade
Verificar a qualidade técnica e a possibilidade de julgamento.
A — Agentes
Identificar as funções representadas na questão.
R — Relações
Avaliar a capacidade e a configuração das relações entre os agentes.
E.L.E.S. — DESDOBRAR
E — Evento
Investigar a configuração do acontecimento.
L — Lua
Acompanhar o fluxo temporal da investigação.
E — Estado
Reconhecer a configuração resultante.
S — Síntese
Formular a conclusão objetiva.
A divisão entre I.R.A.R. e E.L.E.S. não representa dois métodos.
É um único processo.
Primeiro, a estrutura é estabelecida.
Depois, essa estrutura é desdobrada.
I.R.A.R. organiza. E.L.E.S. desenvolve.
Condições → Relações → Resultado
A lógica central do método pode ser condensada em três movimentos:
CONDIÇÕES → RELAÇÕES → RESULTADO
Primeiro, investigam-se as condições.
Depois, examinam-se as relações.
Finalmente, formula-se o resultado.
Essa ordem é fundamental.
Uma conclusão não deve escolher antecipadamente os símbolos que irão justificá-la.
O procedimento deve ocorrer no sentido inverso:
as condições são verificadas, as relações são examinadas e o resultado é sintetizado.
Isso cria uma barreira contra a interpretação precipitada.
Também cria uma possibilidade importante de revisão.
Se uma conclusão estiver inadequada, é possível retornar ao percurso e perguntar:
A intenção estava corretamente delimitada?
A radicalidade foi verificada?
Os agentes foram identificados corretamente?
As relações foram avaliadas adequadamente?
O desenvolvimento do evento foi compreendido?
O fluxo temporal foi considerado?
O estado resultante foi reconhecido?
A síntese corresponde realmente ao conjunto?
O método transforma o erro em informação sobre o próprio processo de raciocínio.
Uma disciplina para o pensamento
O valor de um método não está apenas em oferecer respostas.
Está também em estabelecer condições para que o próprio raciocínio possa ser examinado.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. permite acompanhar o caminho percorrido entre a pergunta e a conclusão.
Isso produz uma forma de retroalimentação cognitiva.
O estudante passa a observar não apenas a carta que está interpretando, mas também a maneira como está pensando sobre ela.
Essa diferença é essencial.
A astrologia deixa de ser apenas uma atividade de associação de significados e passa a envolver uma sequência consciente de operações.
O objetivo não é eliminar a intuição.
A intuição pode participar da investigação.
O objetivo é impedir que a intuição substitua a verificação estrutural.
Uma hipótese pode surgir rapidamente.
A conclusão precisa respeitar o percurso.
O método e a responsabilidade interpretativa
Toda interpretação produz comunicação.
Quando uma conclusão astrológica é apresentada a outra pessoa, ela pode influenciar sua compreensão de determinada situação.
Por isso, existe também uma dimensão social no modo como o conhecimento astrológico é utilizado.
Uma interpretação responsável não deve transformar possibilidade em certeza absoluta.
Não deve transformar uma indicação simbólica em inevitabilidade.
Não deve utilizar excesso de significados para criar uma aparência de autoridade.
A qualidade da comunicação depende da qualidade da investigação que a antecede.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. contribui para essa responsabilidade porque obriga o intérprete a organizar seu próprio percurso antes de comunicar a síntese.
O astrólogo não precisa apenas dizer o que concluiu.
Precisa saber por que chegou àquela conclusão.
Essa diferença estabelece uma relação mais responsável entre conhecimento e comunicação.
Uma proposta cultural
A astrologia possui uma longa história de transmissão de conhecimentos, técnicas e sistemas interpretativos.
O problema contemporâneo não é apenas preservar esse patrimônio.
É também aprender a estudá-lo de maneira organizada.
Uma tradição pode ser preservada mecanicamente, pela repetição de fórmulas.
Mas também pode ser preservada intelectualmente, quando seus princípios são compreendidos e transmitidos com clareza.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. participa dessa segunda possibilidade.
Ele não pretende atribuir aos antigos astrólogos uma metodologia que eles não formularam.
É uma arquitetura contemporânea para organizar o estudo e o raciocínio astrológico.
Essa distinção é importante.
A tradição fornece o patrimônio técnico.
O método organiza o pensamento contemporâneo sobre esse patrimônio.
Assim, inovação e tradição não precisam ser confundidas.
Podem trabalhar em continuidade, desde que suas funções sejam claramente distinguidas.
Uma proposta epistemológica
O Estruturalismo Astrológico também estabelece uma posição diante do conhecimento.
A astrologia clássica é tratada aqui como um sistema simbólico histórico-observacional, pertencente a uma tradição intelectual anterior à ciência moderna.
Portanto, não é necessário transformá-la artificialmente em ciência moderna para reconhecer seu valor histórico e metodológico.
Da mesma maneira, não é necessário reduzi-la a uma crença sem estrutura.
Existe uma terceira possibilidade:
estudá-la dentro de seus próprios procedimentos, reconhecendo seus critérios, sua história e seus limites.
Isso exige distinguir:
observação de interpretação;
hipótese de conclusão;
analogia de causalidade;
coerência estrutural de comprovação experimental.
Essa separação não enfraquece o método.
Ao contrário.
Quanto mais claramente uma disciplina conhece seus próprios limites, mais precisamente consegue definir aquilo que está fazendo.
O Estruturalismo Astrológico não pretende demonstrar uma causalidade física entre os astros e os acontecimentos.
Seu propósito é organizar o raciocínio utilizado dentro da prática astrológica.
Ensinar astrologia é ensinar a raciocinar
Essa talvez seja uma das consequências pedagógicas mais importantes do método.
Ensinar astrologia não precisa significar apenas ensinar significados.
Pode significar ensinar o estudante a pensar astrologicamente.
Isso muda a relação com a memória.
Em vez de depender exclusivamente da memorização de centenas de associações, o estudante começa a desenvolver uma memória procedural:
o que investigar, em qual ordem investigar e por que investigar.
O conhecimento técnico continua sendo indispensável.
Mas passa a existir dentro de uma arquitetura.
O estudante aprende que uma interpretação não começa pela síntese.
Começa pela delimitação.
Não começa pelo resultado.
Começa pelas condições.
Não termina no acúmulo de informações.
Termina na capacidade de sintetizar aquilo que realmente foi verificado.
Dessa maneira:
I.R.A.R. → E.L.E.S.
não é apenas uma sequência de letras.
É uma forma de lembrar uma ordem de pensamento.
O limite também faz parte do método
Uma interpretação madura precisa saber não apenas o que pode afirmar, mas também o que não pode afirmar.
Nem toda informação encontrada em uma carta precisa participar da resposta.
Nem toda associação simbólica possui a mesma importância.
Nem toda hipótese precisa ser transformada em conclusão.
O excesso de interpretação pode produzir uma aparência de profundidade sem necessariamente aumentar a precisão do julgamento.
Por isso, o método também é uma disciplina de seleção.
Investigar significa selecionar o que pertence ao problema.
Relacionar significa estabelecer aquilo que realmente possui função dentro da estrutura.
Sintetizar significa eliminar o excesso e preservar o essencial.
A síntese, portanto, não é simplesmente um resumo.
É o resultado de uma seleção criteriosa.
Estruturalismo Astrológico: uma identidade metodológica
O termo Estruturalismo Astrológico é utilizado aqui para designar uma proposta contemporânea de organização do raciocínio astrológico.
Não se trata de reivindicar uma escola histórica já existente.
É uma denominação para uma abordagem desenvolvida dentro da Astrologia Total.
Seu núcleo é o método:
I.R.A.R. → E.L.E.S.
Sua lógica fundamental é:
CONDIÇÕES → RELAÇÕES → RESULTADO
Seu princípio disciplinar é:
NÃO CONCLUIR ANTES DA VERIFICAÇÃO ESTRUTURAL.
E sua finalidade pode ser resumida em uma frase:
organizar o pensamento para que a conclusão seja proporcional à estrutura investigada.
Conclusão
O Estruturalismo Astrológico nasce de uma necessidade simples:
organizar o pensamento antes de organizar a interpretação.
A astrologia possui um vasto patrimônio técnico.
Mas conhecimento acumulado não produz automaticamente raciocínio organizado.
Entre o conhecimento e a conclusão existe um processo.
O I.R.A.R. → E.L.E.S. procura tornar esse processo consciente.
Primeiro, estrutura-se.
Depois, desdobra-se.
Primeiro, verificam-se as condições.
Depois, investigam-se as relações.
Finalmente, formula-se o resultado.
Condições → Relações → Resultado.
Essa sequência estabelece uma disciplina intelectual.
Permite ensinar melhor.
Permite revisar melhor.
Permite comunicar melhor.
E, principalmente, permite reconhecer que interpretar astrologicamente não é simplesmente encontrar significados.
É construir uma conclusão a partir de uma estrutura previamente investigada.
Por isso, o Estruturalismo Astrológico pode ser compreendido como uma proposta de organização do pensamento astrológico.
Não para substituir a tradição.
Não para transformar astrologia em outra coisa.
Mas para desenvolver uma maneira mais consciente, ordenada e responsável de raciocinar dentro dela.
I.R.A.R. → E.L.E.S.
Estruturar → Desdobrar
Condições → Relações → Resultado
Não concluir antes da verificação estrutural.
ASTROLOGIA TOTAL
Astrologia Estrutural Clássica
I.R.A.R. → E.L.E.S.
Sidnei Almeida Teixeira
Criador do método I.R.A.R. → E.L.E.S.
“A máquina do tempo chamada astrologia!”